Postado sexta-feira, 18 de abril de 2014

Treat me like a queen

É interessante notar como a moda, filha do capitalismo, nos dizeres de Silvana Holzmeister (O Estranho na moda) está intimamente ligada ao sentido que damos à vida e, ainda mais, ao modo que queremos nos afirmar nela. Não é de hoje que as pessoas tentam se expressar através da moda, sendo possível até entender uma pessoa pelo que está usando. Mas mais interessante ainda é que essa capacidade de entender a pessoa pelo traje está cada vez mais desconstruída, tendo em vista a capacidade nossa imagética de projetar uma imagem diferente a cada instante.

 Hoje, vivemos em um supermercado, onde todas as opções estão ali, prontas para serem compradas e usadas. Basta escolher. O hipossuficiente pode parecer rico e vice-versa. Está tudo nas nossas mãos. E sempre há a questão da necessidade de aprovação social. Ainda aqueles que falam que não precisam disso, aqueles que dizem que a moda é futilidade, que querem passar esse conceito antimoda, na verdade acabam recaindo na própria moda. É natural e inevitável do ser humano e em algum momento da vida você terá essa necessidade e a moda é parte fundamental desse processo, seja no trabalho ou em relacionamentos em geral. Acredite. O jogo das relações pessoais é pesado.

Citando Renata Pitombo Cidreira, em seu artigo "O gosto na moda" (Dobras, vol. 5, nº12, nov-12):

"Não por acaso, já no início de século XX, Georg Simmel (1994) afirmava que a moda, a vestimenta e os adornos poderiam ser considerados exemplos da manifestação da dinâmica da vida e do processo de afirmação de si e das relações sociais. Assim, em relação à moda, podemos dizer que ela é o visível de uma força invisível: a vestimenta visibiliza quem posso a vir ser." 

É esse "quem posso a vir ser" que está fazendo com que marcas tradicionais e conceituadas, como Louis Vuitton , Goyard, GucciValentino insistam na personalização ou customização de seus produtos. Quem não iria amar entrar em uma loja de grife, dotada de história forte no mundo na moda, ter um atendimento impecável e sair de lá com sua peça personalizada com suas iniciais ou nome? É o exclusivo. É aquela peça que só pertence à dona, que se sente uma verdadeira privilegiada. Através desse atuar eles estão comunicando "você é única".

Lendo a revista Harper´s Bazaar Brasil deste mês, duas páginas são dedicadas a essa questão, cujo título da matéria é "Luxo pessoal" (por Vívian Sotocórno) e começa com a seguinte frase: "Por que se contentar apenas em adquirir a última it bag - que muitas também terão -, quando se pode tê-la feita especialmente para você?"

Percebeu a questão? A bolsa personalizada é um item de luxo. É um item único e eterno, justamente como queremos ser. E aí entra a questão da aparência e toda a discussão filosófica da importância da moda ao longo do tempo na construção pessoal e social.

A Valentino chega no Brasil com a coleção Rouge Absolute Signature e no momento na compra, a cliente já pode customizar as peças vermelhas da marca com suas iniciais. As marcas de luxo estão investindo nesse contato com o cliente. Querem que se sintam like a queen e acho uma estratégia muito válida porque esse contato só aproxima. Ano passado, a Gucci lançou na Bloomindale´s em Nova York um pop up corner onde os clientes personalizavam as bolsas e lenços junto com os artesãos da marca. Mais que adquirir a bolsa com as iniciais, é luxo presenciar o próprio artesão atuando. A Fendi também segue essa linha, gravando nomes de personalidades nas bolsas para divulgar o made to order

Quem compactua com o mundo das réplicas não terá esse luxo. Aliás, já dizia Carrie em um dos episódios do seriado Sex and the city, que não havia graça comprar uma bolsa, ainda que verdadeira, às ocultas. O que todos querem é entrar no ambiente da loja e receberem o tratamento de luxo. E andarem com o produto de luxo. E se sentirem assim. 

Aprovação social? Producão imagética?  O que você quer ser? Qual a imagem que quer transmitir? O importante é sentir-se bem consigo mesma, aproveitar esse tempo em que podemos nos reinventar a cada instante, ainda que seja com um acessório diferente, mas que traz esse significado, independente do valor que se paga, 10 reais ou 10 mil reais, o significado que você é o verdadeiro luxo. 

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fonte garotas estúpidas
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