Postado segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Perfeição

Olá! Hoje o post não é sobre o look do dia ou produto de beauté que eu esteja usando.


Observe as fotos abaixo e identifique o que cada brinquedo desse tem em comum (todas as fotos foram retiradas do google images)



Semana passada estava em uma determinada loja no calçadão de Nova Iguaçu, aguardando na fila para pagar os cabides que havia selecionado para comprar e como a fila estava grande, tornou-se inevitável reparar em tudo que estava ao meu redor: produtos e pessoas. Eu gosto muito disso. Sou o tipo de gente que observa mais que demonstra, que escuta mais que fala. Pois é, nesse meu ordinário exercício de observação me peguei vendo vários kits de beleza de criança, todos chamando a atenção para o que uma menina amaria: a opulência da cor rosa, a foto de uma menina (em geral loira de cabelos lisos) com um sorriso imenso imitando o movimento de alisar os cabelos com a famosa chapinha. Nas embalagens, sempre aqueles dizeres que mexem com o desejo da criança, que a fazem querer ter aquilo e os pais comprarem por seu tão bonitinho. A chapinha entra como elemento essencial de beleza.

Quantas e quantas vezes já ouvi pais mencionando o quão vaidosa a filha deles é e talvez eu quando for mãe também fique tentada a comprar uma penteadeira super rosa pra minha filha. Seria certo eu me empolgar e comprar um kit desses? Não sou hipócrita, amava e amo ainda a Barbie, que não tem qualquer identificação com a brasileira - é magra, alta, loira, modelo - e eu e muitas meninas da minha geração crescemos com o "ideal Barbie" na cabeça, apesar de eu ter outras versões da Barbie (ruiva, negra...). O problema é que hoje vejo que não é só a boneca. Todos os kits de beleza que vi naquela loja e hoje após dar um google e fazer a pesquisa, quase todos tem uma chapinha. Vejam bem. Chapinha: instrumento que alisa temporariamente o cabelo. Por que não tem também um babyliss para cachear? Por que todos tem que necessariamente ter chapinha? Porque se não tiver não vende.  A sociedade molda para que as crianças se sintam melhor com os cabelos lisos, caucasianos. A criança cresce com a imposição do liso e que seu cabelo cacheado ou afro (que cresci ouvindo na rua que seria "cabelo ruim") não serve. Agora me diz uma coisa: Não serve por quê? Para quem? 

Por mais que eu veja em revistas físicas e online falando volta e meia sobre o cabelo natural, o término da ditadura da chapinha, o que vejo na realidade, no "mundo real" é um exército de mulheres de cabelo liso, ou melhor alisado. É cabelo liso no barzinho, na academia, na festinha, é todo mundo igual, por mais que tenha gente muito bem colocada na sociedade e tenha acesso a todos informativos que o cabelo natural também é fashion. O medo de ser taxada de ter "cabelo horrível", de escutar um "cruzes, nem fez uma escovinha e saiu com esse cabelo" deve ser maior. Ok, tudo bem, hoje, queremos ser vistas, belas, magras, impecáveis, queremos "arrumar um amor". Mas que isso não macule a infância. Eu tive infância (INFÂNCIA) e acredito que muitas amigas tiveram. Brincava até me descabelar, sonhava, acreditava em fantasia. Hoje a única fantasia dessas crianças é ser lisa, perfeita,ganhar muito dinheiro, não brincam direito porque vão estragar o cabelo, a roupa, a unha... Isto é saudável? Isto é ser feliz? Não, mas parece que é social e comercialmente perfeito.

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